Cave e Galeria Estação apresentam a artista indígena Navegante Tremembé na SP–Arte com a exposição “Arquivos da Terra”.
A artista indígena Navegante Tremembé apresenta na SP–Arte “Arquivos da Terra” em uma mostra que reúne um conjunto de pinturas feitas com o toá, técnica ancestral indígena que utiliza pigmentos naturais extraídos de seu território originário. A mostra apresenta um conjunto de pinturas realizadas com o toá, técnica ancestral indígena que utiliza pigmentos naturais colhidos da terra.
Originária do povo Tremembé, no aldeamento de Varjota, interior do Ceará, Navegante Tremembé desenvolve há mais de quatro décadas uma prática artística baseada no uso do toá, um pigmento natural colhido de seu território. Trata-se de uma terra colorida formada por camadas geológicas milenares, cuja materialidade carrega, em si, memórias profundas do planeta.
Em suas pinturas, cor e matéria operam como vestígios de um tempo anterior à exploração predatória da natureza, configurando-se como verdadeiros arquivos da terra. A produção da artista traz para as telas, saberes ancestrais, experiências pessoais e cosmologia indígena em composições que transitam entre figuração sintética, economia formal e uma geometria própria. Suas paisagens, de caráter onírico e simbólico, propõem uma leitura sensível e crítica da relação entre o humano e a natureza.
No contexto atual, a obra de Navegante adquire uma urgência ainda maior: “Arquivos da Terra” propõe uma reflexão sobre memória, território e resistência, narrando a história da exploração colonial e os impactos do modelo extrativista na Natureza. A curadoria é de Lucas Dilacerda, sócio da AICA – International Association of Art Critics, que destaca a potência da obra como portadora de conhecimentos capazes de reorientar modos de existência frente ao colapso climático.
“Seu território originário enfrenta disputas com empresas de monocultura e grupos organizados, resultando na devastação de espécies nativas e no desaparecimento de parte da fauna local. Ao pintar árvores e pássaros ameaçados, a artista transforma sua produção em gesto de denúncia e preservação, registrando aquilo que está em vias de desaparecer.” –Lucas Dilacerda
Com a participação na SP–Arte, a exposição realizada pela Cave e Galeria Estação amplia a visibilidade da produção indígena contemporânea no circuito nacional, inserindo a obra de Navegante Tremembé em um contexto de debate urgente sobre arte, território e ecologia.
Serviço: Arquivos da Terra: Navegante Tremembé na 22ª SP–Arte, de 8 a 12 de abril de 2026. Local: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera, Stand: F24 – CAVE + Estação.